Domingo, Agosto 23, 2009
às 9:32 PM
Primeiramente eu gostaria de agradecer à minha melhor amiga Bruna, por ter criado esse lindo layout. O nosso projeto inicial seria fazer um blog em conjunto, mas como acabou não dando certo, vou tentar me virar por aqui. De qualquer maneira, se não fosse por ela esse blog não existiria por isso vou dedicá-lo à ela, que aliás tem trânsito livre para invadir essa birosca quando bem entender!!
Mas mudando o rumo da prosa...
Saca aqueles pseudo-intelectuais chatos e pedantes, que adoram pagar de irônicos e exaltar o quanto são diferentes e melhores que o resto dos mortais?
Agora que estou ingressando na faculdade, vou me deparar com muitos desses tipinhos massantes. Bem, eles não precisam ser tão chatos, na verdade eles são tão ridículos e paradoxais que podemos nos divertir à custa dessas criaturas não tão raras.
Por isso resolvi dedicar o meu primeiro post inteiramente aos "alternativozinhos". Já imaginou se uma pseudo dessas resolvesse nos revelar um pouquinho desse mundinho onde se segrega da sociedade banal?
Então, eu já...
Vocação para pseudocult
Já estou entediada, acho que vou assistir Amélie Poulain, ou qualquer filme antigo euroupeu, ou iraniano, quem sabe até algum filme trash...Porque trash agora é cult. Alguém já viu A Bolha Assassina? Se tiver visto deixa pra lá, dou preferência a algo menos massificado.
Depois colocarei o meu melhor sobre tudo, vasculharei o armário da minha avó a procura de algum óculos com armação dos anos 60, calçarei o meu coturno de 400 reais e minhas meias listradas preferidas, que combinarão com o meu cachecol de linha e minha boina nova. Isso porque me recuso peremptoriamente a participar dessa patética onda de consumismo, desenfreada pela imposição do padrão norte-americano em nossa sociedade culturalmente influenciada.
Exatamente, eu prefiro me isolar culturalmente com meus amiguinhos alternativos. Depois de devidamente arrumada, talvez ( é importante expressar indiferença, para dar um ar mais blasé) eu os encontre em algum bar mal iluminado, que tenha show ao vivo de alguma banda melódica e desconhecida, mas só se eu não tiver algo menos interessante pra fazer.
Ao encontrá-los, nada de demonstrações efusivas de afeto, tentarei parecer profundamente entediada.
Provavelmente eles estarão com os cabelos igualmente em desalinho e trajando vestimentas igualmente pesadas e próprias ao inverno de Frankfurt. Talvez as tenham comprado lá mesmo.
Então, poderemos acender cigarros e pedir uma dose de dry martini, enquanto citamos Nietzsche e Kafka , para concluir alguma linha de pensamento que não somos capazes de construir por conta própria. Também poderemos compartilhar nossas descobertas sobre alguma produção cinematográfica do século passado de baixos recursos. Seria interessante discorrer sobre as idéias de Marx e criticar o fenômeno do individualismo que assola a sociedade contemporânea. Daremos um breve parecer sobre arte e tentaremos decifrar as mensagens subliminares em algumas obras, mesmo que para isso tenhamos que nos utilizar de algum tipo de alucinógeno. O que é perfeitamente aceitável perante aos padrões europeus. Ah, sim, não admitimos seguir nenhum tipo de padrão, mas não é segredo menosprezarmos a cultura nacional, exceto a MPB, que é reconhecida internacionalmente. Para nós, em termos de produção cultural brasileira, só o que remanesce do movimento modernista de 1920.
O que mais se poderia extrair de um país manipulado por uma emissora televisiva? Via de regra, devemos odiar mortalmente a rede Globo e suas produções esdrúxulas. Quem assiste novelas é ignorante, Big Brother então, nem se fala. Lixo televisivo, cultura inútil, empobrece os pensamentos. Entretanto, não temos problema algum em passar o dia inteiro no orkut, ou a madrugada no msn, isso de alguma forma deve estimular nossa produção intelectual. Não que sejamos peritos em produzir. É bem mais prático utilizar as frases e teorias de grandes pensadores de maneira pernóstica.
Gosto de me relacionar com outros intelectualóides, porque possuem idiossincrasias semelhantes as minhas. Sabe como é, as que são diferentes, ou melhor dizendo, comuns (porque as diferentes são as nossas), são inferiores. Tudo aquilo que não gostamos, certamente é de péssima qualidade, para não dizer patético. Isso é porque respeitamos as individualidades, somos contra padronizações. Somos excêntricos sem forçar a barra,verdadeiros mutantes psíquicos.
Condenamos as Barbies oxigenadas norte-americanas, com aqueles peitos de silicone, mas não nos importamos em padronizar nossos All Stars, cabelos com franja e picotados, roupas em tons escuros, camisetas com dizeres revolucionários e comunistas, preferencialmente ilustradas com a foto do Che Guevara......
Afinal, somos diferentes do resto da sociedade hipócrita e moralista, mas reproduzimos com habilidade os comportamentos em nosso meio.
Por: Luíza